Old Dragon deixa a Buró e vira editora própria: impacto no RPG brasileiro (RPGames Brasil)
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por Filipe Lutalo
O cenário de RPG nacional acaba de passar por uma mudança importante — e talvez mais significativa do que parece à primeira vista. Mas essa não é apenas uma mudança de editora. É um sinal claro de que o RPG brasileiro está evoluindo.
O sistema Old Dragon, um dos principais nomes da cena OSR no Brasil, inicia uma nova fase independente, deixando de ser publicado pela Buró de Jogos e dando origem à sua própria editora.
O que mudou com o Old Dragon?
Com o anúncio oficial de uma “nova era”, o Old Dragon passa a operar de forma independente através da sua própria estrutura editorial.
À frente dessa nova fase estão três nomes centrais:
Antonio Sá
Guilherme Mir
Julio Monteiro
A mudança não representa um rompimento com a Buró, mas sim uma reorganização estratégica: enquanto a editora segue focada em board games e expansão internacional, o Old Dragon assume controle total do seu próprio desenvolvimento.
De sistema a ecossistema
O ponto mais importante dessa transição não é a independência em si — mas o modelo que está sendo construído.
Podemos inferir que a nova estrutura do Old Dragon se apoia em três pilares:
Estratégia e negócios: Com Antonio Sá, trazendo visão de mercado e direcionamento de crescimento.
Produto (RPG): Com Guilherme Mir, responsável pela evolução do sistema e produção de conteúdo.
Plataforma digital: Com Julio Monteiro, liderando o Old Dragon Online e a integração digital.
O resultado disso é uma mudança de paradigma. O Old Dragon deixa de ser apenas um RPG e passa a funcionar como um ecossistema completo, unindo: livros e suplementos , comunidade ativa e ferramentas digitais.
O que isso revela sobre o RPG brasileiro
Essa mudança não acontece isoladamente. Ela reflete um movimento maior dentro da cena nacional que se baseia em profissionalização do mercado, independência como caminho viável e integração com o digital.
Essa nova fase dialoga com outros grandes momentos do RPG brasileiro. O crescimento de Tormenta, por exemplo, mostrou a força da comunidade e do financiamento coletivo — como vimos em nossa entrevista com Marcelo Cassaro.
Mas existe uma diferença importante:
Tormenta expandiu seu universo.
Old Dragon está expandindo seu modelo de negócio.
Oportunidades para a comunidade
Essa mudança não impacta apenas a editora — ela afeta toda a cena. Mais conteúdo e suporte contínuo para os jogadores. Ferramentas mais completas e melhor organização de campanhas para os mestres e narradores. Mais temas relevantes, acesso aos bastidores da indústria e crescimento de audiência interessada em RPG nacional.
O que estamos vendo aqui é uma mudança de mentalidade: RPG deixa de ser apenas produto e passa a ser plataforma. Para o futuro, podemos esperar o Brasil se firmando como produtor relevante de RPG no cenário global.
Conclusão
A nova fase do Old Dragon marca mais do que uma mudança editorial. Ela representa um avanço na forma como o RPG é pensado, produzido e distribuído no Brasil. E para quem acompanha a cena de perto, uma coisa é clara: estamos vivendo um dos momentos mais importantes do RPG nacional.
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Charles Corrêa, também conhecido pelas alcunhas “Overmix” ou “Nandivh”, é um apaixonado por RPG e desenvolvimento web. Residente em Porto Alegre/RS, estuda programação desde 2001 e trabalha na área desde 2010.
No mundo do RPG, iniciou sua jornada como jogador em 2014 e, desde 2018, dedica-se a mestrar campanhas envolventes e desafiadoras, especialmente dentro dos gêneros de horror e dark fantasy.
Com experiência em sistemas como D&D 5e, Pathfinder, Cthulhu Dark, Vaesen e, mais recentemente, Savage Worlds, Charles também nutre uma curiosidade especial por Rastros de Cthulhu.
Conhecido entre seus jogadores como um mestre sádico, ele adora desafiar até mesmo os mais experientes combeiros, criando missões e encontros que exigem estratégia e criatividade. Inicialmente utilizando o Roll20 como plataforma, atualmente conduz suas campanhas no Foundry VTT, sempre buscando formas de melhorar a experiência de seus jogadores, aplicando seus conhecimentos em programação para aprimorar a jogabilidade e imersão.
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