VTTs e teatro da mente: como equilibrar tecnologia e criatividade no RPG de mesa (RPGames Brasil)
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por Filipe Lutalo
As mesas virtuais são uma ferramenta útil quando se joga RPG remoto. Entretanto, para algumas pessoas, plataformas tornaram uma prisão da criatividade dos jogadores e mestres e estão tirando a diversão do jogo.
Nos últimos anos, o uso da tecnologia cresceu muito nas mesas de RPG. Grids dinâmicos, cenários impressos em 3D e VTTs (Virtual Table Tops) que simulam toda uma mesa de RPG on line são exemplos de como o RPG evoluiu para muito além do Teatro da Mente.
O que são VTTs
VTTs são plataformas digitais para jogar RPG de mesa online. Muito mais que simples mesas, elas simulam mapas de batalha, miniaturas e tokens, rolagens de dados e as fichas de personagem. O mestre ainda pode incorporar mapas dinâmicos, props e trilha sonora. Dependendo da plataforma que utiliza, os cenários podem ser em 2D ou em até 3D.
Era exatamente o que eu imaginava que o RPG poderia se tornar um dia. As aventuras narradas se tornariam uma experiência cyberespacial coletiva. Tudo bem, estamos longe disso, mas é essa a ideia.
Vantagens e Desvantagens das VTTs
Acompanhando uma streaming de RPG no YouTube, observei que o mestre do jogo gastou muito tempo para moldar o cenário digital. Os PdJs se moviam no mapa e interagiam somente com objetos e itens que o mestre tinha programado.
Essa dinâmica me incomodou por dois motivos, primeiro pela falta de narração. O mestre apenas falou, “Vocês (os PdJs) estão na praça da cidade. Podem interagir com o cenário”. Segundo, eles poderiam interagir apenas com o que estava programado. Conseguiam entrar na taberna, mas não conseguiam interagir com outros PdMs na praça. Uma espécie de videogamização.
Para usuário do Reedit, r/rpg, uma das vantagens do VTT é a organização e clareza em combates:
“Os VTTs ajudam muito a manter o posicionamento dos personagens e inimigos, além de facilitar o uso das regras e habilidades. Isso evita confusões e torna o jogo mais acessível para iniciantes.”
Entretanto, outro usuário, r/rpg, destaca que os VTTs podem limitar a imaginação:
“Quando usamos mapas digitais e grids, os jogadores tendem a se prender ao que está desenhado. Muitas vezes deixam de explorar elementos narrativos ou improvisar, porque ficam focados apenas no que o VTT mostra.”
Em muitas mesas de jogo presenciais que narrei, observei que a criatividade dos jogadores tendia a se limitar quando eu usava grids de combate. Entretanto, se expandia quando usava o teatro da mente. Eu acredito que isso acontecia era porque os jogadores entravam em um modo tático quando as miniaturas eram colocadas no mapa. Como em um tabuleiro de xadrez, eles entendiam que tudo o que precisavam e podiam usar no combate estava no grid. No final, o combate se resumia a mecânicas de movimentação, ataque e defesa.
O Teatro da mente como alternativa de imersão
Usar o teatro da mente em conjunto com os VTTs ou grids físicos é uma ferramenta poderosa para aumentar a imersão.
Os PdJs estão em um beco e, cercados pelos guardas da cidade. Um dos PdJs pergunta ao mestre se há varais com lençóis esticados no alto da viela. O mestre não colocou esses elementos no mapa, mas acha bem plausível que eles existam. O jogador então anuncia que arremessará sua adaga para cortar um dos varais. Seu intuito é que os lençóis caiam sobre os guardas e atrapalhem a visão deles.
Observem que aliar o teatro da mente aos grids de combate ou VTTs trazem novos elementos para o jogo e tornam a aventura muito mais surpreendente, criativas e divertidas. O segredo está em usar a tecnologia como apoio, sem abrir mão da imaginação coletiva que faz do RPG uma experiência única.
Qual sua experiência com VTTs? Eles ajudam ou atrapalham as suas mesas? Conte nos comentários!
Charles Corrêa, também conhecido pelas alcunhas “Overmix” ou “Nandivh”, é um apaixonado por RPG e desenvolvimento web. Residente em Porto Alegre/RS, estuda programação desde 2001 e trabalha na área desde 2010.
No mundo do RPG, iniciou sua jornada como jogador em 2014 e, desde 2018, dedica-se a mestrar campanhas envolventes e desafiadoras, especialmente dentro dos gêneros de horror e dark fantasy.
Com experiência em sistemas como D&D 5e, Pathfinder, Cthulhu Dark, Vaesen e, mais recentemente, Savage Worlds, Charles também nutre uma curiosidade especial por Rastros de Cthulhu.
Conhecido entre seus jogadores como um mestre sádico, ele adora desafiar até mesmo os mais experientes combeiros, criando missões e encontros que exigem estratégia e criatividade. Inicialmente utilizando o Roll20 como plataforma, atualmente conduz suas campanhas no Foundry VTT, sempre buscando formas de melhorar a experiência de seus jogadores, aplicando seus conhecimentos em programação para aprimorar a jogabilidade e imersão.
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