Dungeons & Dragons: Por que é Hora de Deixar o Sistema e Explorar Novos Horizontes no RPG após os escândalos da OGL e Abandono das traduções em Português pela Wizards of the Coast

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O Que Foi a Polêmica da OGL?

A Open Game License (OGL) original, criada em 2000, foi uma das maiores inovações no mercado de RPG de mesa. Ela permitiu que criadores independentes utilizassem as regras de D&D para criar conteúdos como aventuras, suplementos e até sistemas derivados. Essa liberdade ajudou a popularizar o hobby globalmente, levando ao surgimento de sucessos como Pathfinder e Critical Role.

No entanto, em 2023, a Wizards of the Coast anunciou a OGL 1.1, que revogaria a versão original (1.0a) e imporia restrições severas. Entre as mudanças polêmicas estavam:

  • A exigência de pagamento de royalties para receitas acima de US$ 750.000.
  • Obrigatoriedade de registro de produtos junto à WotC.
  • Cláusulas que permitiam à WotC usar o conteúdo criado sob a OGL sem compensar os autores.

Essa tentativa de monopolizar o mercado gerou uma revolta generalizada, com criadores e jogadores cancelando assinaturas do D&D Beyond em massa. Embora a empresa tenha recuado após a pressão, o episódio abalou profundamente a confiança da comunidade​.


Fim das Traduções em Português: Um Golpe na Comunidade Brasileira

Outro fator decisivo foi o abandono das traduções em português pela WotC. A partir de 2024, livros de D&D não serão mais lançados no idioma, deixando a comunidade brasileira desamparada.

A justificativa oficial foi o aumento dos custos e a baixa demanda, mas o impacto vai muito além. Jogadores que não dominam outros idiomas agora enfrentarão barreiras ainda maiores para acessar o conteúdo oficial, enquanto a pirataria e traduções não autorizadas podem se tornar a única solução prática​.

Isso é particularmente frustrante porque o Brasil abriga uma das maiores comunidades de RPG do mundo, e o suporte da Wizards já era limitado. O abandono reforça a percepção de que mercados menores são desvalorizados, mesmo sendo cruciais para o crescimento global do hobby.

Hoje os novos livros mesmo em inglês são absurdamente caros, coisa de quase R$ 600,00 que é totalmente inviável no mercado brasileiro.


Alternativas ao D&D: Mais Liberdade e Comunidade

Felizmente, o mundo do RPG é vasto e repleto de alternativas incríveis. Algumas editoras, como a Paizo (Pathfinder) e a Buró (Tormenta), estão liderando iniciativas para manter o RPG acessível e inclusivo:

  • Pathfinder: Desenvolvido inicialmente como uma evolução de D&D 3.5, Pathfinder agora é totalmente independente e utiliza sua própria licença aberta, promovendo a liberdade criativa.
  • Old Dragon: Um sistema brasileiro inspirado no RPG clássico, com regras simples e um apelo nostálgico.

Além disso, a iniciativa ORC (Open RPG Creative License) está sendo desenvolvida como uma alternativa verdadeira à OGL, garantindo que nenhum sistema dependa do controle de uma única empresa​.


Outros Fatores: Mudança no Relacionamento com a Comunidade

A WotC mostrou uma desconexão crescente com sua base de jogadores. Desde o silêncio inicial durante a polêmica da OGL até a falta de suporte ao português, suas ações indicam uma priorização do lucro sobre o hobby. Enquanto Critical Role (Apesar de que Matthew Mercer ter abandonado o D&D para começar e divulgar seus próprios sistemas baseados em d6 como Candela Obscura e Daggerheart) e Stranger Things trouxeram novos jogadores ao RPG, a WotC parece incapaz de valorizar a comunidade que sustenta o jogo.


Por que Abandonar o D&D é um Ato de Resistência?

Continuar apoiando Dungeons & Dragons significa validar as práticas de uma empresa que prioriza lucros acima do espírito colaborativo que define o RPG de mesa. Mesmo que alguns jogadores optem por piratear o conteúdo ou utilizem traduções feitas pela dedicada comunidade brasileira, isso ainda reforça as decisões controversas da Wizards of the Coast. Além disso, piratear o material não resolve o problema estrutural: a empresa continuará a ignorar a comunidade brasileira enquanto obtiver lucro indireto.

Optar por alternativas não é apenas uma questão de preferência; é um ato de boicote ativo que pode pressionar a Wizards a repensar sua postura. Caso a comunidade demonstre de forma clara e unificada sua insatisfação — seja por meio de um boicote total ou apoiando outros sistemas —, há a possibilidade de a empresa reconsiderar sua atitude e até mesmo retomar o suporte ao público brasileiro.

A confiança é como um cristal. Quando quebrada, as rachaduras são visíveis de longe e, muitas vezes, impossíveis de serem reparadas. No caso da Wizards of the Coast, ela quebrou esse cristal com a comunidade brasileira. Muitos jogadores, cansados de promessas vazias e atitudes mercenárias, decidiram que não há mais espaço para a confiança.

Hoje, o ato de resistir é mais do que abandonar D&D — é um movimento para construir algo novo, mais justo e alinhado com os valores que sempre definiram o RPG de mesa.

Critical Role Deixa D&D e Pioneira Novo Sistema com Projetos Futuros de RPG

Depois de quase uma década promovendo Dungeons & Dragons como o maior canal de RPG do mundo, o Critical Role decidiu oficialmente seguir outro caminho. Sob a liderança de Matthew Mercer, a equipe está desenvolvendo sistemas próprios por meio da Darrington Press, começando pelo aguardado Daggerheart, um RPG de alta fantasia voltado para campanhas longas, e Illuminated Worlds, um sistema baseado em d6 projetado para narrativas curtas e ágeis.

Esse movimento não é apenas uma mudança estratégica; é uma resposta direta aos escândalos envolvendo a Wizards of the Coast (WotC) e sua polêmica Open Game License (OGL). O Critical Role, que ajudou a popularizar o D&D para milhões, agora busca liberdade criativa e controle total sobre seu conteúdo, algo que a WotC dificultou para muitos criadores com suas práticas recentes.

Além de Daggerheart e Illuminated Worlds, Matthew Mercer revelou planos para expandir ainda mais a influência da Darrington Press no mercado de RPG de mesa. Embora os detalhes permaneçam escassos, rumores apontam para futuras colaborações e novos projetos que prometem desafiar a hegemonia de sistemas tradicionais. Essa transição também reforça a postura do Critical Role de apoiar criadores independentes e promover narrativas diversificadas e inclusivas.

Com a migração para sistemas próprios, o Critical Role não apenas amplia sua liberdade criativa, mas também envia uma mensagem clara à comunidade global: é possível prosperar fora do domínio de gigantes como a WotC. Essa mudança estratégica tem o potencial de revolucionar o mercado de RPG, incentivando outros criadores a seguirem caminhos semelhantes e consolidando o Critical Role como uma referência de inovação no gênero.

Afinal, o impacto de uma mudança tão significativa por parte do maior canal de RPG do mundo não pode ser subestimado.


Conclusão: O Futuro do RPG Está Além de D&D

Dungeons & Dragons pode ter sido o ponto de partida para muitos no RPG, mas não precisa ser o destino final. Com tantas opções acessíveis, sistemas inovadores e licenças realmente abertas, há um mundo de aventuras esperando para ser explorado.

A decisão de deixar D&D não é apenas uma rejeição às práticas da WotC; é uma oportunidade de apoiar um mercado mais justo e dinâmico. O RPG é, acima de tudo, uma celebração da imaginação coletiva, e nenhum sistema ou empresa pode monopolizar esse espírito.

Escolha um novo caminho. Role os dados. O futuro do RPG é seu para moldar!

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